09 abril 2011

Celebrando!

Este é um fim de semana muito especial para mim!
Vou contar uma história... Uma longa história...
Em Abril do ano passado eu estava curtindo terceiro mês da minha licença maternidade até que na madrugada do dia 08 para o dia 09 (de quinta para sexta-feira), enquanto eu estava dormindo, eu tive uma forte dor de cabeça que me fez acordar.
Acordei, apertei o braço do meu marido e disse: "Ai, que dor de cabeça!" e não me lembro de mais nada... Segundo o meu marido, eu me deitei de bruços e entrei em convulsão.
Seguiu-se uma jornada... Chamaram os Bombeiros, que me levaram para uma "UAI" e de lá, após horas de embromação e depois de uma médica dizer que eu poderia ser levada para casa e ser mantida em observação, pois não havia necessidade de internação, me encaminharam para um hospital particular, já que eu tenho convênio médico.
Tudo foi facilitado por uma vizinha, que Graças a Deus é enfermeira e estava de plantão na UAI naquela noite, porque acho que se não fosse por ela, talvez eu já não estivesse aqui para narrar esta história...
Depois da liberação da UAI, chamaram então uma ambulância e me levaram para um hospital particular. Chegando lá, fui encaminhada para a sala de tomografia e após a realização do exame, identificaram um aneurisma que já estava gotejando e isso significava que precisavam tomar providências urgentemente!
Então, no dia 09/04 (sexta-feira), passei o dia todo na UTI do hospital, sendo preparada para um procedimento que poderia vir a ser realizado caso a minha família autorizasse.
Neste dia, o médico explicou aos meus familiares todo o procedimento que seria realizado e o que poderia acontecer. Hoje, todos me contam que foi uma decisão muito difícil, pois o médico deixa claro que tudo pode acontecer e faz questão de enfatizar o lado negativo, por exemplo, após uma cirurgia com tal complexidade, o paciente pode não acordar, pode acordar, mas ter sequelas motoras, na fala, na memória, etc.
Após todas as explicações, SIM, foi a resposta dada e por isso, no dia 10/04 (sábado) passei por uma longa cirurgia - duração aproximada: 10 horas.
Seguiu-se aí uma longa jornada para minha família de idas e vindas ao hospital para me visitar enquanto eu estava na UTI. Além é claro, da tensão do que poderia acontecer: será que eu acordaria? Ficaria com alguma sequela da cirurgia? - Saí da UTI no dia 21/04, logo após a retirada dos pontos da cirurgia.
Estava bem, reconhecia a todos, já tinha voltado a conversar, um pouco rouca por causa da entubação, mas a voz começava a ser ouvida... Tudo estava bem, mas eu seria mantida em observação mais uns dias (não me falavam quantos) em uma ala de isolamento do hospital.
Certo.
Momentos difíceis. Sem visitas, somente familiares, mesmo assim, todos tinham que usar proteção nas roupas, luvas, máscaras.
Desagradável.
Mas eu estava viva! Isso era o que mais importava! E eu queria muito era ver o meu bebê, mas ainda não era permitido, afinal eu estava em isolamento.
Minha mãe havia ficado responsável por ele em casa e o meu marido, que havia pego dispensa no trabalho, ficava comigo no hospital. Quando ele voltou a trabalhar, meu pai passou a me fazer compania durante o dia no hospital e meu marido vinha à noite pra dormir comigo.
Longos dias se passaram. Tudo estava indo bem, eu já estava caminhando, fazendo exercícios de fisioterapia de pé, me alimentando muito bem e até já falavam em uma possível alta, até que...
No dia 05/05, durante uma conversa com a psicóloga do hospital, eu tive uma outra dor de cabeça, semelhante à primeira. Senti a dor, falei a mesma coisa: "Ai, que dor de cabeça!" e não vi mais nada...
Quando eu acordei, adivinhe onde eu estava? Sim... Na UTI...
Tive uma sensação horrível de que estava começando tudo de novo...
Não seria possível!
Refiz exames e constataram que o surgimento de um hematoma, no lado oposto à cirurgia foi o causador deste novo episódio convulsivo. Não era motivo para pânico, mas eu seria mantida em observação na UTI durante mais uns dias. Ficar na UTI sem sedação não é nada fácil. Você presencia cada cena... Mas não vem ao caso aqui e também não vinha naquele momento. Eu só agradecia por estar viva e pedia bençãos pelas vidas que ali estavam, sejam os internados ou os que trabalhavam por eles.
Saí de lá no dia 07/05.
Depois que saí da UTI voltei para o quarto, agora já estava fora do isolamento. Era uma paciente comum, que poderia transitar livremente nos corredores durante a caminhada, poderia receber visitas, os enfermeiros não precisavam mais entrar com todos aqueles aparatos de proteção no meu quarto. Era bom me sentir uma pessoa comum de novo!
Uma coisa me apertava o coração: Eu havia me tornado mãe há pouco tempo, estava se aproximando o dia das mães e eu estava há tantos dias longe do meu filho! 29 dias vendo-o somente por fotos! Elas estavam espalhadas até nas paredes da UTI, mas nada supria a vontade de vê-lo, tocá-lo, abraçá-lo...
Como tinha saído da UTI e já não estava no isolamento, minha família comentou com o médico sobre a possibilidade de trazê-lo ao hospital no Dia das Mães para que eu pudesse vê-lo. Ele autorizou de pronto. Disse que não poderia negar tal pedido.
Não o levaram no Domingo, mas no sábado mesmo! Já que estava autorizado, que fosse logo!
A sensação daquele momento é indescritível! Ele havia crescido e engordado bastante naquele mês em que eu estive ausente! Eu não poderia pegá-lo, já que estava com soro, estava fraca, mas eu estava perto dele!
Tinha medo de que ele não se lembrasse de mim, mas ele se lembrou. Eu conversava com ele como fazia antes e ele reagia como antes, mas às vezes olhava para minha cabeça, percebendo a diferença existente entre a mamãe de antes e a mamãe de agora. É que antes da cirurgia eu estava com os cabelos compridos e naquele momento a cabeça estava quase raspada.
A semana seguinte se passou na tranquilidade. Sem contratempos. E por isso, como havia sido programado, eu recebi alta no sábado, dia 15/05.
Voltei para casa e logo estava de volta à minha vida e às minhas atividades (trabalho, casa, rotina, etc).
Hoje, exatamente um ano depois, sinto-me grata por ter passado por tudo o que passei, ter sobrevivido e não ter nenhuma sequela.
Do que aconteceu, eu não trago somente as cicatrizes. Elas são somente as marcas do que se passou. Existem também aquelas cicatrizes que ninguém vê... Isso. Tenho as cicatrizes visíveis da cirurgia, que estão discretamente cobertas pelo cabelo, mas trago também algumas cicatrizes emocionais, e estas, estão muito evidentes somente para mim e não há necessidade de espelho para que eu possa vê-las, pois as sinto a todo momento. Trata-se de uma sensibilidade com a qual ainda estou aprendendo a conviver e que sei que jamais vou conseguir fazer com que as compreendam.
Tudo o que aconteceu mudou muita coisa em minha vida, principalmente a forma como eu vejo, sinto e interpreto as coisas.
Me ensinou a pedir e a agradecer.
Mudou o meu valor de vida, de mundo, de pessoas.
E eu que achava que tinha bons costumes e valores, hoje os mudei e sei que ainda preciso melhorar e muito!
É vivendo que se aprende! Ainda bem...