28 março 2011

Se você quer um resultado diferente, faça algo diferente!

Esta tarde, eu estava retornado do trabalho para casa e presenciei uma cena muito comum aos olhos de quem utiliza o transporte público.
Imagine a cena: quase 17:30, horário de superlotação em todas as linhas de ônibus que trafegam pela cidade. Já no Terminal Central (local de trânsito de milhares de pessoas neste horário) comecei a observar um rapaz que, falando ao telefone, preferiu sentar-se ao ficar na fila, junto aos demais passageiros que esperavam o ônibus. Observava a atitude do rapaz, dos demais passageiros e ficava pensando: "quando o ônibus chegar, ele rapidamente se desloca dali até aqui e entra na frente das inúmeras pessoas que aqui estão a esperar de pé..." Isso estava óbvio, acontece todos os dias!
E adivinhem? Dito e feito!
Entrei no ônibus. Ele, entrou na minha frente, é claro! Não tinha condições de medir forças com ele, nem era esta a minha intenção ou pretenção.
Acontece que sentamos lado a lado e ele passou a viagem inteira conversando ao telefone. Não darei detalhes da conversa, mas todos que estavam ao redor sabem muito bem do que se trata (desagradável e desnecessário).
Eu observava as pessoas ao meu redor, todas olhando na direção dele, que se comportava como se estivesse na sala da casa dele, fazer o quê, né?
Mas o objetivo deste post não é criticar um sujeito que se comporta assim dentro do ônibus, e sim o comportamento de várias outras pessoas que ali estavam.
Acontece que logo à minha frente estava uma mocinha segurando uma sacola que parecia um pouco pesada e logo ao sair do Terminal, questionei se ela queria que eu a levasse.
Ela pensou um pouquinho e aceitou. As pessoas estão desacostumadas a serem ajudadas e quando alguém oferece ajuda, você percebe nos olhos delas a desconfiança, uma interrogação interior: "entrego ou não?". Isso não deveria acontecer. Ela me entregou a sacola e agradeceu.
Continuei observando as pessoas e logo mais à minha esquerda, havia uma outra moça, voltando da faculdade com uma bolsa enorme pendurada no ombro direito e dois livros de cerca de umas 600 páginas cada um, mas ela estava tentando ler um deles e se equilibrar no ônibus ao mesmo tempo, então continuei somente observando.
Logo ela percebeu que seria impossível conseguir fazer as duas coisas ao mesmo tempo e fechou o livro. Dei um tempo. Fiquei observando as tentativas de carregar os livros e se segurar. Era uma lástima! Ela estava bem à frente do rapaz que continuava falando ao telefone e que estava simplesmente ignorando tudo que estava ao redor dele. Ao lado dela estava sentado um outro rapaz que passou parte da viagem com a cabeça voltada para fora, como se estivesse evitando a situação de ter que ceder o lugar o ajudar alguém (desagradável e desnecessário).
Então, ofereci-me para transportar os livros dela. Ela abriu um sorriso e disse: Nossa! Obrigada!
Achei interessante a reação dela... Ela passou a viagem inteira olhando na minha direção com olhos de agradecimento como se eu tivesse aliviado o peso da viagem dela. E foi isso mesmo que eu fiz.
Por que é tão fácil reclamar de tudo e criticar as atitudes das pessoas quando na verdade estamos sempre dispostos a cometer as mesmas falhas?
Tenho certeza que qualquer uma daquelas pessoas que estivesse na situação daquela moça estaria, em seus pensamentos, criticando aqueles que estavam sentados e indispostos ajudar. Porque somos assim?
A coisa só se torna um problema quando está acontecendo conosco? Onde está a EMPATIA*?
http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=empatia
Se queremos viver em um mundo melhor, cabe a nós mudar o mundo em que vivemos!
A mudança tem que começar em nós e então exteriorizamos e contagiamos as pessoas a cometermos as mesmas atitudes! É uma espécie de Corrente do Bem!
O mais contraditório desta história é que esta moça que transportava os livros da faculdade estava usando uma camiseta que traz o slogan da campanha do Trote Social da UFU que tem a seguinte logomarca:




Consciência e Solidariedade...
Infelizmente o discurso ainda não condiz com as atitudes das pessoas, mas quem sabe um dia, não e mesmo?

*Leia mais sobre Empatia na seção Mais do Tema...

Continuação: Complicada sim, mas longe de ser perfeitinha...

Bom, estou de volta hoje para contar o motivo que me levou ao psiquiatra este ano...
Em 2010, meu ano foi repleto de novidades... Uma delas foi a MATERNIDADE!!
Um momento abençoado, muito esperado e desejado! É normal que a mulher, após ser agraciada com o nascimento de um filho torne-se um tanto mais sensível e este é um dos motivos que me fez procurar tratamento.
No passado, eu conseguia manter maior controle da situação, conseguia aguardar o momento exato para "desabar", conseguia disfarçar o que estava acontecendo, as pessoas sequer percebiam que algo estava "estranho" em mim... Quando eu estava na fase ruim (é assim que eu costumo chamar a fase depressiva ou de tristeza aguda), eu, na maioria das vezes, conseguia esperar chegar em casa pra "cair no choro" e de uns tempos pra cá, perdi um pouco este controle e passou a ser assim: deu vontade chorar, choro onde estiver... aí num rola, né? a coisa foi ficando meio constrangedora...
Aí você pensa, mas o que a Maternidade tem a ver com isso? O que acontece é que creio que uma das coisas que me fez ficar um pouco mais sensível e perder o controle do choro foi a Maternidade.
Mas foi na verdade o meu filho que me incentivou a procurar tratamento...
Meu filho tem hoje 1 ano e 2 meses, e certo dia (na época ele tinha menos de um ano - eu acho, mas já tinha desenvolvido o dom da observação que, modéstia à parte, herdou da mãe... hehehe) eu estava no meio de uma crise e ao chegar em casa, aos prantos, ele ficou me observando. Ao pegá-lo no colo, ele continuou me observando e colocou os dedinhos nas lágrimas que escorriam...
Aí me peguei vislumbrando um futuro que não estaria muito distante: Imagina quando chegar aquela fase do "por quê?", pela qual todas as crianças passam?
Quando um Bipolar está em crise, não adianta ficar perguntando o que ele está sentindo, porque está chorando, o que ele tem, porque todas estas perguntas ficarão sem resposta mesmo!!
E aí, quando ele estiver nesta fase, o que vou falar? O que vou explicar?
Foi então que eu resolvi procurar tratamento...
E vou te falar uma coisa, venci uma grande barreira, porque sempre tive resistência a tomar qualquer tipo de medicação para este problema, porém durante o tempo que tomei a medicação, confesso que me senti muito bem.
Dei uma pausa no medicamento, negligentemente, sem comunicar à psiquiatra, pois tive problemas relacionados ao orçamento...
Mas me comprometi comigo que assim que virar o mês eu, que já estou com uma receita na carteira, vou à farmácia, pois o tratamento melhorou a minha qualidade de vida!
Talvez eu volte a falar disso depois...