Esta tarde, eu estava retornado do trabalho para casa e presenciei uma cena muito comum aos olhos de quem utiliza o transporte público.
Imagine a cena: quase 17:30, horário de superlotação em todas as linhas de ônibus que trafegam pela cidade. Já no Terminal Central (local de trânsito de milhares de pessoas neste horário) comecei a observar um rapaz que, falando ao telefone, preferiu sentar-se ao ficar na fila, junto aos demais passageiros que esperavam o ônibus. Observava a atitude do rapaz, dos demais passageiros e ficava pensando: "quando o ônibus chegar, ele rapidamente se desloca dali até aqui e entra na frente das inúmeras pessoas que aqui estão a esperar de pé..." Isso estava óbvio, acontece todos os dias!
E adivinhem? Dito e feito!
Entrei no ônibus. Ele, entrou na minha frente, é claro! Não tinha condições de medir forças com ele, nem era esta a minha intenção ou pretenção.
Acontece que sentamos lado a lado e ele passou a viagem inteira conversando ao telefone. Não darei detalhes da conversa, mas todos que estavam ao redor sabem muito bem do que se trata (desagradável e desnecessário).
Eu observava as pessoas ao meu redor, todas olhando na direção dele, que se comportava como se estivesse na sala da casa dele, fazer o quê, né?
Mas o objetivo deste post não é criticar um sujeito que se comporta assim dentro do ônibus, e sim o comportamento de várias outras pessoas que ali estavam.
Acontece que logo à minha frente estava uma mocinha segurando uma sacola que parecia um pouco pesada e logo ao sair do Terminal, questionei se ela queria que eu a levasse.
Ela pensou um pouquinho e aceitou. As pessoas estão desacostumadas a serem ajudadas e quando alguém oferece ajuda, você percebe nos olhos delas a desconfiança, uma interrogação interior: "entrego ou não?". Isso não deveria acontecer. Ela me entregou a sacola e agradeceu.
Continuei observando as pessoas e logo mais à minha esquerda, havia uma outra moça, voltando da faculdade com uma bolsa enorme pendurada no ombro direito e dois livros de cerca de umas 600 páginas cada um, mas ela estava tentando ler um deles e se equilibrar no ônibus ao mesmo tempo, então continuei somente observando.
Logo ela percebeu que seria impossível conseguir fazer as duas coisas ao mesmo tempo e fechou o livro. Dei um tempo. Fiquei observando as tentativas de carregar os livros e se segurar. Era uma lástima! Ela estava bem à frente do rapaz que continuava falando ao telefone e que estava simplesmente ignorando tudo que estava ao redor dele. Ao lado dela estava sentado um outro rapaz que passou parte da viagem com a cabeça voltada para fora, como se estivesse evitando a situação de ter que ceder o lugar o ajudar alguém (desagradável e desnecessário).
Então, ofereci-me para transportar os livros dela. Ela abriu um sorriso e disse: Nossa! Obrigada!
Achei interessante a reação dela... Ela passou a viagem inteira olhando na minha direção com olhos de agradecimento como se eu tivesse aliviado o peso da viagem dela. E foi isso mesmo que eu fiz.
Por que é tão fácil reclamar de tudo e criticar as atitudes das pessoas quando na verdade estamos sempre dispostos a cometer as mesmas falhas?
Tenho certeza que qualquer uma daquelas pessoas que estivesse na situação daquela moça estaria, em seus pensamentos, criticando aqueles que estavam sentados e indispostos ajudar. Porque somos assim?
A coisa só se torna um problema quando está acontecendo conosco? Onde está a EMPATIA*?
http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=empatia
Se queremos viver em um mundo melhor, cabe a nós mudar o mundo em que vivemos!
Se queremos viver em um mundo melhor, cabe a nós mudar o mundo em que vivemos!
A mudança tem que começar em nós e então exteriorizamos e contagiamos as pessoas a cometermos as mesmas atitudes! É uma espécie de Corrente do Bem!
O mais contraditório desta história é que esta moça que transportava os livros da faculdade estava usando uma camiseta que traz o slogan da campanha do Trote Social da UFU que tem a seguinte logomarca:
Consciência e Solidariedade...
Infelizmente o discurso ainda não condiz com as atitudes das pessoas, mas quem sabe um dia, não e mesmo?
*Leia mais sobre Empatia na seção Mais do Tema...

