16 julho 2011

Acessibilidade

Há alguns dias eu tenho pensado muito nessa temática e em algumas questões culturais ou educacionais que envolvem essa questão.
Para discutir essa questão, como de costume, vou contar uma historinha que vi acontecer...
Trabalho para um Grupo que possui empresas em diversos ramos de negócios e há cerca de dois meses a equipe na qual eu trabalho foi transferida de uma empresa para outra e entre essas duas empresas existem grandes diferenças no que tange à estrutura física.
O que ocorre é que na nova empresa o número de funcionários é bem menor e pelo que me consta não há nenhum deficiente físico, então a empresa não estava totalmente preparada para receber pessoas com necessidades especiais.
Na infra da empresa que deixávamos, havia uma série de pontos de acessibilidade: rampas, banheiros adaptados, bebedouros adaptados, vagas exclusivas no estacionamento, mas na empresa que estava nos recebendo de todos estes ítens que citei só havia (pelo menos na ala feminina) um banheiro adaptado para pessoas portadoras de necessidades especiais. 
Só isso e mais nada!
Bom, aqui eu vou abrir um parênteses para tratar dos banheiros adaptados para portadores de necessidades especiais.
Porque pessoas que não tem necessidades especiais preferem utilizar banheiros adaptados aos banheiros não adaptados? 
É, outro dia, depois do meu almoço, eu estava sozinha no banheiro escovando os dentes e entrou uma mulher. 
O banheiro da empresa possui 5 reservados - 4 convencionais e um adaptado, todos os reservados estavam desocupados e a mulher que entrou não é portadora de nenhuma necessidade especial, e adivinhem só o que ela fez? 
Sim! 
Ela entrou no único reservado adaptado! 
Nessa hora eu fico pensando: e se entrasse aqui agora uma pessoa que tem necessidade especial e não tem condições de utilizar o reservado convencional? 
Hoje aconteceu a mesma coisa de novo. 
Estava eu no banheiro, sozinha, todos os reservados desocupados e outra mulher entrou e preferiu o reservado adaptado. 
Porque? 
Existe explicação científica para isso ou trata-se somente de uma questão cultural ou educacional?
Bom, voltemos então ao assunto que é muito mais amplo do que o banheiro! 
Isso mesmo! 
Na empresa só havia o banheiro de espaço adaptado! 
Nem sequer a vaga de estacionamento! 
Mas o que aconteceu com nossa chegada? 
Bom, na equipe que estava chegando havia um integrante com necessidades especiais (tem dificuldade de locomoção - não é cadeirante nem usa muletas, mas caminha com dificuldades) e por isso a empresa teve que se adequar pelo menos para atender às necessidades mais urgentes. 
Uma delas foi providenciar vagas no estacionamento, pois no começo esse funcionário portador de necessidades ia de ônibus, mas depois passou a ir de carro e o calçamento do estacionamento não é dos melhores além de que o fato de estacionar longe da entrada da empresa também tornava as coisas mais difíceis para ele. 
Bom, foram providenciadas duas vagas no estacionamento, próximas ao portão de acesso principal e também do acesso à área interna.
Mas aí vem outra questão que quero comentar sobre a preferência: Foram criadas duas vagas e existe apenas um usuário, e a outra vaga, quem usa? 
Isso, um motorista comum qualquer, sem necessidades especiais. 
Hoje, em uma conversa com colegas, eu soube que outro dia, ao chegar à empresa e dirigir-se para a sua vaga exclusiva, o portador de necessidades foi abordado pelo vigilante da portaria que lhe informou que a vaga era exclusiva para deficiente físico e ele simplesmente disse: eu sou deficiente físico! 
Eis mais uma questão que me intriga nesse momento: Será que o motorista que estacionou na outra vaga exclusiva também foi abordado dessa maneira? 
Qual teria sido sua resposta para tal abordagem caso tenha ocorrido? 
Bom, o fato é que essa questão é um tema que está me intrigando desde a 1ª vez que vi uma mulher optar pelo reservado adaptado ao invés de entrar nos convencionais. 
Por que não respeitar a "exclusividade" daquele espaço?


Isso me faz pensar muito na educação e na cultura que o adulto tem e que tipo de educação e de cultura que estes adultos estão transmitindo aos filhos, sobrinhos, netos, ou seja lá que tipo de "herdeiros" que estejam ao seu redor. Qual a noção de respeito que está sendo repassada?
Certa vez eu li uma frase muito sábia que dizia mais ou menos o seguinte: 
"Todos se preocupam com o mundo que vão deixar para os filhos, mas será que alguém se preocupa com que filhos vão deixar para o mundo?"
Pense nisso! 
As atitudes dos seus filhos são reflexo das suas atitudes! 
Dê o exemplo!

Obs: Leia mais na coluna "Mais dos Temas - Acessibilidade em Uberlândia"

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